sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Roteiro, Parte 2 de 3

Bom, aqui está a segunda parte da conversa sobre Roteiro. Ninguém me perguntou nada, então vou imaginar que ninguém tem dúvida nenhuma e não devo me aprofundar em nenhum ponto! Ou tem? Tanto faz, vai lendo aí...



Roteiro 2

Admirável mundo novo – Personagens e o mundo onde eles vivem

Obviamente você deve ter um personagem. Todo autor tem os seus e geralmente eles vêem em bando. Pelo menos a princípio é sobre ele que você vai escrever, ou sobre uma história e situação em que ele (e pode ser ela, tanto faz...) está inserido. Fantástico! Mas você sabe realmente colocar a informação acerca dos seus personagens no papel? Este é um problema. Normalmente tudo vai na emoção, sangue, suor, lágrimas, e seu personagem é seu “filho”, ou então sua Mary Sue, onde você desforra as suas frustrações e realiza os seus desejos. Se você se encaixou nessa descrição, sinto muito, isso não vai dar certo.

O personagem, e nisso me refiro a qualquer um, deve ser pensado, planejado, ele precisa ser feito para a história a qual se destina. Se ele funcionar para outras, isso é maravilhoso, mas antes de tudo, ele precisa ser pensado como parte de um projeto, até mesmo de uma maneira técnica e fria, afinal escrever roteiros também possui sua metodologia.

Uma pergunta recorrente sobre os personagens é sobre a ordem: o personagem vem antes da história, ou a história vem primeiro e o personagem é conseqüência? Isso é difícil de responder. Depende da história que você vai escrever e depende principalmente do personagem. Alguns parecem nascer prontos, com o “destino” traçado e as escolhas já feitas. Mas certamente a coleta prévia de informações quando se inicia um roteiro engloba os personagens sobre os quais se vai escrever – e desenhar. Estas referências serão valiosas caso você desenhe, e o serão pelo menos (mas não apenas até aí) até quando você der uma aparência para ele. Caso outra pessoa seja responsável pelo visual do seu personagem, então a quantidade de informação e a precisão das mesmas vai fazer toda a diferença sobre o resultado.

Quando se define o personagem, normalmente se aglomeram informações a respeito dele: origem, aparência, comportamento, traços de caráter, nível de relação com outros personagens, e o espaço onde ele está inserido. Aí pode ser o começo do fim ou realmente o grande trunfo.

Por que? Vejamos o exemplo do filme Avatar, de James Cameron: o planeta onde a ação se passa, sozinho, é um personagem, com desígnios e regras próprias, é um ambiente hostil que molda os personagens nativos deste meio-ambiente e também define comportamentos em outros núcleos de ação. Agora procure imaginar a mesma história em um cenário diferente. Certamente o resultado seria muito menos interessante, se a história fosse enquadrada em um mundo “real”. Já no que se refere ao filme Cidade de Deus, do Fernando Meirelles, vemos uma história que poderia ser ambientada em qualquer outra grande cidade do mundo, e não teria prejuízo narrativo, e nem os personagens seriam afetados – a não ser nos maneirismos. Entendeu? Zé Pequeno seria Zé Pequeno mesmo que se chamasse Aladin e vivesse em um subúrbio em Bagdá: ele ainda seria o bandido-mor da trama, com todas as nuances que o original possui.

Uma vez que o cenário seja estabelecido – e isso vale para mundos “reais” quanto para mundos alternativos (outros planetas, cidades utópicas, outras dimensões, etc) – convém fazer uma certa pesquisa, a não ser que você use a sua própria realidade. Frescura ou não, essa pesquisa é necessária, porque afinal, digamos que você nunca saiu da sua cidade, mas quer escrever sobre “um conflito militar ambientado no Japão feudal”, e a não ser que você se chame Jorge Zentner, e tenha um grande, extenso, colossal background de leituras, dificilmente vai poder forjar esta realidade do nada. E não me refiro somente à descrição de como o cenário deve ser, eu me refiro também a como o mesmo (e até o período histórico e a característica moral de cada momento) pode afetar decisões dos personagens, e também definir o comportamento deles.

  E caso opte por um mundo alternativo, então tome o cuidado de que este mundo seja – de fato – diferente do nosso, e diferente de outros já criados. Estas diferenças englobam vários aspectos: comportamento social, arquitetura, a maneira que os personagens lidam uns com os outros, etc. Um bom exemplo desta diferença é a HQ Tongue Lash, desenhada por Dave Taylor. Em uma realidade alternativa que parece derivada do que seria uma evolução da sociedade maia, os personagens transitam sem problemas entre poderes místicos, e uma sociedade complexa, onde a nobreza possui pele azul; uma casta de humanos sintéticos que possuem cabeças de animais ao invés de cabeças humanas; onde animais como babuínos circulam pelas ruas; os homens sempre estão mascarados e nunca mostram o rosto; as mulheres estão sempre sumariamente vestidas, ou até menos do que isso, e não há tabu algum sobre o sexo ou as práticas sexuais, e onde os funerais incluem sacrifícios humanos. Viu a quantidade de informação para apenas uma HQ? Essa abrangência dá credibilidade a qualquer tipo de cenário.

Portanto, se você quer escrever sobre uma ação que acontece (digamos) em um campus universitário na Rússia, ou você usa informações genéricas, ou procura saber afinal como são as coisas lá. Nada muito profundo, mas alguma exatidão bem que ajuda, dá certa segurança ao roteiro e você se move mais facilmente neste roteiro. E se o seu personagem for um (vamos supor) imigrante argentino inserido nesta suposta universidade russa? Pesquise um pouco para dar embasamento a ele. Até para uma história curta e sem grande compromisso, vale a pena definir algumas coisas.

Este rapaz aqui por
pouco não permaneceu
uma garota. 

  Vou falar um pouco de como eu faço para definir um espaço/personagens para uma HQ, que é justamente um tipo de produção onde estas limitações são necessárias. Eu como autora sei tudo sobre o que quero escrever, certo? Errado. Quando se começa a definir no papel como as coisas devem ser, algumas ficam de fora e outras são acrescentadas. Por exemplo: quando eu estava criando este personagem aqui ao lado, a princípio seria uma mulher, mas para bagunçar a história, achei melhor que o “papel” ficasse com um homem. É uma decisão pequena, porém que deixa conseqüências ao longo do roteiro, porque a maneira que ele lida com os outros personagens mudou, a maneira que ele age no ambiente também. E quanto o roteiro está em vias de ser executado, neste caso você precisará de um model sheet.

O model sheet (que no ramo de animação é uma folha com os desenhos do personagem em várias posições, para guiar os desenhistas que trabalharem na série a fazer o personagem sempre igual, mas que aqui vamos acrescentar mais coisas) possui as informações sobre o seu personagem. Quero dizer, TODAS as informações pertinentes sobre ele, e geralmente há duas versões: uma muito detalhada (com descrição física, personalidade, local onde mora, origem, destino e fim, etc Até signo zodiacal vale para enriquecer estas informações!) e uma versão resumida, que é um apanhado básico de informações, que esta sim será manuseada mais freqüentemente (eu geralmente deixo um espaço para adicionar alguma anotação) e evitará certos equívocos como personagens que mudam de cor de cabelo de um capítulo para outro de um livro, como em um dos livros da Christinne Feehan, em que a mocinha começava morena e terminava loura. Isso vale para HQs também, onde o personagem deve ter a mesma cara no decorrer da história, e aconteceu no Drácula desenhado pela Neide Harue, onde o dito-cujo começava com um cabelo (e uma cara) e terminava com um topetinho épico e uma cara bem diferente das primeiras páginas.

ANTES
DEPOIS
 Se puder anexar uma imagem para referência da aparência do seu personagem, do que veste, de acessórios, cabelo, etc, isto torna seu trabalho mais simples, principalmente se você planeja que posteriormente seja desenhado. Este passo se aplica a todos os personagens principais de uma HQ. Os personagens que aparecem brevemente no geral não precisam de tal detalhamento, a não ser que você planeje dar um destino mais nobre do que “meros coadjuvantes” para eles. Não se esqueça de que o cenário também terá um determinado model sheet, baseado em informação visual (fotografias, ilustrações, gravuras, plantas baixas, etc), e algumas observações escritas se necessárias.

Mas agora vamos pisar em território minado: o personagem derivativo. Até agora estamos considerando personagens que são totalmente seus, totalmente originais. Bom, mas e se você fez um personagem “baseado em...”. Se foi numa pessoa real, bom, a ficção está cheia, repleta deste tipo de derivação, e com certeza o personagem fictício nada tem a ver com o personagem histórico, o qual possivelmente também não tem muito a ver com a pessoa real. Além do mais, cada autor dará sua própria interpretação ao personagem, e um exemplo muito fácil de notar são as variações do personagem Drácula, através dos quadrinhos (embora ele possa ser citado tanto quanto um personagem histórico quanto ficcional) :

Versão de Pascal Croci – O trágico

Versão de Neide Harue – O terror das mulheres
 
Versão de Guido Crepax – O detestável
 
Versão de José Salinas – O macho-man (apesar do cabelo)

Isso apenas para citar um breve e bem conhecido exemplo de um personagem popular. Mas vale lembrar que a interpretação visual pode ser tão vasta quanto a interpretação descritiva (o mesmo personagem pode mudar totalmente de aparência e personalidade dependendo de como cada pessoa irá “vê-lo”), a qual inclusive é muito mais abrangente porque em um texto escrito muito mais detalhes podem ser incluídos. Porém, quando o ponto é o roteiro, se é possível sugerir alguma coisa, isso depende do resultado desejado. Ser original é diferente do que meter o pé na jaca e empurrar um absurdo no leitor querendo que ele leve isto à sério. Ser original é dar uma abordagem diferente da feita até então, o que não é a mesma coisa que reciclar. Quero dizer que há inúmeras maneiras de escrever uma história como há inúmeras de abordar um personagem. Fazer de um personagem sério algo engraçado é fácil, para citar um exemplo, mas um desafio de verdade é tornar um personagem divertido algo denso, sério e realmente instigante, além de um bom treino para quem está começando agora no desenvolvimento dos personagens e da narrativa.

Outro tipo de personagem derivativo, que eu planejava não comentar aqui para não pisar nos calos de ninguém é o personagem derivado (não confundir com o derivativo, que é uma nova interpretação, este aqui é uma cópia das descaradas!). Este todo mundo conhece, mas ninguém admite que tenha. Não quero dizer que todos os autores tenham um, mas para citar um exemplo clássico e bastante popular... Supreme, personagem do Rob Liefeld é uma cópia descarada do Superman, com um visual maquiado.

Sim, isso mesmo. O personagem derivado é justamente aquele que o Rob Liefeld viu o original, achou legal e acreditou que podia fazer melhor, e que ninguém ia perceber. Mas é óbvio, na maioria dos casos, que as pessoas vão perceber. Geralmente quem faz isso acha que ninguém vai notar, ou quiçá descobrir, e ainda se ofende quando o assunto é citado. Outra maneira de fazer isso é tomar o mesmo personagem de uma obra original, trocar o nome e a cor do cabelo e apenas com tais mudanças esperar que o mesmo se torne propriedade e criação sua. Ou nem isso... Viu algo em comum entre Harry Potter e Os Livros da Magia? Coruja, garoto de óculos... Até para usar um clichê é necessário ter noção dele, e do limite dele.

Portanto, se você amou, adorou, pagou pau, e queria que aquele personagem fosse seu, desista. Ele já é de outra pessoa. Mas se você quer fazer como o Liefeld, esteja preparado para o pior, e saiba que copiar não é criar. Saber criar é saber ter referenciais, e você dificilmente vai criar algo original se apenas tiver aquilo como referência. Quer escrever para quadrinhos? Não leia quadrinhos. Parece duro, mas essa é a verdade. Ou você expande o seu horizonte, ou se torna outro Kurumada reciclando Cavaleiros do Zodíaco indefinidamente tentando repetir o feito, e pior, reciclando o Seiya indefinidamente, como se ele já não fosse um personagem oco o suficiente.


Diálogo – A arte que poucos dominam

Eu tenho mania de “silêncio”. Tanto faz quando estou escrevendo para quadrinhos, texto, fanfiction, sempre tem alguém com uma fala assim: “...” . Isto é um mau-hábito, algo horrível, que fica mais perturbador ainda porque quando estou quadrinizando, tenho tendência a fazer páginas e mais páginas de ação sem ninguém dar uma palavra.

Ora, uma imagem não diz mais do que mil palavras? Pois é, baseada nisso, eu às vezes levo o conceito ao extremo, o que já me rendeu puxão de orelha de editor, e ser zoada por alguns leitores que não conseguem entender tantos silêncios. Admito que isso é uma falha terrível, e ainda digo mais, eu sei qual a razão disso. Eu tenho medo de errar pelo excesso.

Antigamente era do habitual de uma HQ que houvesse a legenda, aqueles quadros com texto explicando “... e fulano então subiu as escadas.” E no mesmo quadrinho aparecia o Fulano subindo as escadas. Isto hoje em dia é impensável. Não se descreve uma ação que já é óbvia, e mesmo assim eu ainda encontro isso em DIÁLOGOS!

Página de autoria de Chabouté
  Como leitora de quadrinhos – e isso foi algo que eu tive de aprender a separar, o eu-autora do eu-leitora – gosto de HQs cujos diálogos são auxiliares da narrativa. A narrativa em si eu considero o desenho e o ritmo à serviço da história. O autor francês Chabouté tem HQs muito interessantes baseadas apenas na força da imagem, onde o texto, quando há apenas complementa idéias que não podem ser explicadas imediatamente ali. O texto do diálogo, eu acredito, ele precisa ser elucidativo, mas não ter um tom didático. Já basta a Anne Rice que pára a história para uma espécie de “telecurso” no meio do livro como uma maneira de mostrar que houve pesquisa. Já vi isso acontecer em quadrinhos, e na verdade acho uma maneira muito pedante de mostrar conhecimento de causa.

O diálogo deve servir como complemento da história, portanto muitas vezes é possível contar coisas sem ele. No quadrinho, assim como no cinema, não é preciso mais do que algumas indicações de imagem para dizer muito sobre um personagem e sobre a vida que ele leva, incluindo as contradições que ele talvez possua. Um exemplo é o filme Valhalla Rising (no Brasil, lançado como O Guerreiro Silencioso). Em poucos diálogos e cenas-chave já podemos identificar muito dos personagens, ainda que continuemos sem saber muito, porém para aquela narrativa, isso foi mais do que suficiente.

Poucas coisas são tão estranhas de se ler quanto um diálogo forçado. É como aquelas aulas de inglês, onde ensinam uma maneira de falar que ninguém na prática usa. Pessoas falam como pessoas, óbvio, e isso precisa soar natural, o diálogo flui muito bem, se for bem escrito, por mais simples que seja. Um vício comum é nos textos de época os personagens falarem de maneira pomposa. No passado, como agora, havia uma clara diferença entre a linguagem clássica e a linguagem corriqueira, e as pessoas, no dia a dia, falavam de maneira natural, e não como se estivessem recitando Camões ou Homero o tempo todo. Claro, cada época e lugar possui seus maneirismos, mas o exagero faz com o que deveria ser sério se torne uma paródia. Por outro lado, o uso massivo de gírias faz com que o texto fique datado, ou limitado ao entendimento de um nicho. A não ser que isso seja necessário para o texto, e as mesmas sejam explicadas no contexto (como usar gírias de uma determinada década para enfatizar o tempo em que a história se passa), alguns termos podem limitar tremendamente um texto.

Mas simplificar demais a fala dos personagens não é deixar a coisa sem-graça? Nem sempre. Há um meio-termo para tudo, e cada autor encontra o seu, mais cedo ou mais tarde. Mas é claro, o que você escreve – me refiro a maneira de escrever – para um público não é o mesmo que para outro. Os personagens de uma HQ adulta falam de outra maneira, são mais explícitos, falam palavrão, coisas duras. Já os personagens de uma HQ juvenil falam de outra maneira. Da mesma forma, cada personagem tem uma maneira de falar, assim como as pessoas conversam cada uma de um jeito.

Outra coisa que lembro de citar é o conteúdo das conversas em uma HQ. Não vou ficar dizendo como fazer ou o quê deve haver em um diálogo, mas se posso dar uma sugestão é justamente esta: não entregue o ouro de uma vez. A HQ pode ser uma one-shot de 20 páginas, mas os diálogos (se houverem) podem dar ao leitor muito mais pistas do que o que ele está vendo. Uma ambigüidade de palavras (não me refiro a trocadilhos ou piadinhas fáceis de duplo sentido) pode instigar muito mais do que uma cena. E não esqueça, o que não se vê geralmente diz muito mais do que o óbvio, e o mesmo se aplica aos diálogos, ou vai dizer que a fofoca contada pela metade não é muito mais emocionante e eficiente em causar curiosidade do que ouvir a fofoca inteira?



Sexo!!! – Escrito e desenhado

Vou procurar não me estender tanto neste tópico, mas os equívocos que eu vejo por aí – em vários momentos, não apenas em quadrinhos, mas em livros, filmes, etc – não me permitem ficar calada. Sabe aquele texto que atormentou todo mundo nos FW e ENC dos emails, sobre o que você NÃO deve dizer na hora do sexo? Todo autor deveria ter aquela lista em mãos na hora de escrever uma cena de sexo.

Por que subitamente uma história romântica descamba para a mais legítima baixaria vulgar quando chega neste momento crítico? Por que isso acontece na vida real? Questionável. Isso é muito questionável, porque não se pode aplicar a mesma dinâmica de uma cena de sexo para personagens diferentes. Ou vocês acham que o Wolverine trepa no mesmo estilo que o Shuichi de Gravitation?

Há um artigo muito bom sobre a escrita de cenas de sexo, no blog Yaoi Writers, com dicas que se aplicam a qualquer cena. Mas tratando-se de sexo desenhado, a idéia é a mesma do que eu citei acima. Personagens diferentes, dinâmicas diferentes. Não necessariamente haverá seqüências fixas como há na maioria dos filmes pornô, mesmo no que se aplica a quadrinhos eróticos.

Aliás, o sexo em si não é tão interessante em termos narrativos quanto a seqüência de eventos que faz os personagens chegarem até ali. Inclusive, e isso é muito pertinente, uma HQ não precisa mostrar sexo explícito para ser potencialmente incendiária, mas sim o que ela deixa para a imaginação do leitor é que faz com que cena se torne interessante, e isso pode se aplicar a textos, naturalmente. Isso se aplica ao cinema, também. Sexo – no que se refere a narrativa, e no que ele pode enriquecer o seu roteiro – não é apenas o coito em si, mas todo um repertório de gestos, olhares, linguagem corporal, (se for o caso) diálogo, etc, e a maneira com que se trabalha com tudo isso pode ser o diferencial. O filme Lua de Fel ilustra bem, mesmo não tendo tanto sexo em cena, o que pode ser feito para figurar essa força narrativa. E mesmo quanto aos personagens, não se pode colocar personagens diferentes em uma mesma seqüência de preliminares que o outro. Por acaso o Bruce Wayne parece flertar da mesma maneira que o Fred Flintstone? Apenas o Robin saberia responder esta pergunta...

Autores trabalham cada um com uma determinada visão do sexo dentro de seus roteiros. Alguns, como Guido Crepax, possuem o enfoque no fetiche e não tanto no sexo explícito. Outros, como Milo Manara, se concentram em situações e gestual, mas não economiza em exibicionismo e mostrar o ato. Já no exemplo dos mangás, uma constante – para não dizer clichê – são as expressões de sofrimento constante para as personagens femininas e passivas de mangás hentai, e os personagens passivos de mangás yaoi. O uso deste tipo de clichê fica à critério do autor (e do desenhista), mas assim como no resto das situações de uma história, quando se foge ao óbvio, às decisões narrativas fáceis demais e principalmente se evita o clichê, tanto a história só têm a ganhar.


Continua (e termina) em Roteiro, Parte 3

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2 comentários:

youko-yoru disse...

\o/ bom bagarai essa parte tbm!! Eu ri pra porra com isso 'Sabe aquele texto que atormentou todo mundo nos FW e ENC dos emails, sobre o que você NÃO deve dizer na hora do sexo?'... =/ mas depois eu parei e lembrei das fics de 'vou enfiar nesse seu buraquinho/anel/cu-melado/etc' ... u.ú naum gostei das lembranças...

Anônimo disse...

Oi, me chamo Lídia, ainda vou fazer meu blogspot!!!!^^ Gostei do seu texto, bem explicadinho, liso e ajuda bastante, mas não gostei dos desenhos que vc usou pra ilustrar. Na parte do sexo não tem nenhum desenho!!!XD

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