sábado, 12 de outubro de 2013

Da tipografia e outros demônios - Parte 3 de 3

Ainda sobre tipografia! Mas calma, que a conversa já vai acabar. Pelo menos vocês vão sair desses posts menos analfabetos no assunto do que aquela (cof cof) colega webdesigner que eu citei no primeiro artigo. Mas vamos adiante... Eu estava falando de critérios para utilização de fontes!

Os pontos mais importantes de uma fonte para mim são a legibilidade, clareza e identidade. De cara é o que eu observo em uma fonte, e dependendo da aplicação (um título, um bloco de texto, etc) vou considerar o conforto do leitor, e a idéia que a fonte que vou escolher vai ajudar a passar para o observador. Quando uma fonte é selecionada e agregada a uma peça (obra publicitária, ilustração, anúncio, cartaz de filme, capa de livro ou revista, etc), mais do que informando do que se trata aquela informação visual, ela complementa a identidade visual do que estou trabalhando.



Vamos aos exemplos. O título da capa da Playboy. Aquela tipografia está gravada com fogo na mente do cidadão ocidental de maneira que pouca gente pensaria na mesma capa escrita - digamos - com a Arial, ou com a Times. Com Comics Sans, então nem Viagra poderia salvar o tesão perdido deste leitor. Para tornar estes exemplos mais dolorosos, vamos ao comparativo, conferindo qual tipografia “cola” melhor na imagem (uma garota sençoal aleatória):


É. Quando a tipografia realmente se integra ao projeto, ela se torna parte dele, de forma que auxilia na transmissão da informação, ao invés de se tornar mais importante do que ela, ou de passar uma idéia errada sobre o conteúdo. E se eu puder acrescentar algo, são algumas observações que fui coletando nos cursos que fiz, e na prática:

- Tenha em mente 3 coisas ao lidar com tipografia: legibilidade, contraste, equilíbrio.

- Menos é mais.

- Nunca, JAMAIS, use Comics Sans para fazer letreirização de quadrinhos. Ou melhor, não use Comic Sans para NADA (se puder, tire esse encosto tipográfico do seu computador).

- Naturalmente você vai me perguntar “então vou usar o quê para letreirizar quadrinhos??” e a primeira da minha lista de sugestões é: fonte Anime Ace regular. A antiga fonte Quadrinhos e NonaArte eram ótimas também (alguém sabe onde tem?)!

- Para quase todos os efeitos, e com poucas exceções, procure não usar mais de 3 tipos de fontes em um trabalho. Mas como eu disse, há exceções, porém mantenha seu critério.

- Para trabalhos acadêmicos (faculdade e escola), a não ser que seja especificado previamente, não tente ser ousado ou inovar. Ou é Times New Roman, corpo 12, espaçamento 1.5, OU é Arial, corpo 12, espaçamento 1.5.

- Aloprar na tipografia não vai fazer seu currículo, texto, etc, brilhar mais entre os outros. Tampouco um visual neutro vai prejudicar o conteúdo.

- Quando se usa mais de duas fontes em um mesmo trabalho, normalmente uma destas fontes é de família diferente da predominante, para efeito de contraste.

- Negrito e Itálico são seus amigos. Versalete também. Caixa-alta... nem sempre.

- Fuja do Texto Artístico do Word.

- Se você mexe com muitas fontes, use um gerenciador. Há diversos de distribuição gratuita. Se posso sugerir um, tente o AMP Font Viewer, ou outro que visualize as fontes não-instaladas. E, se for o caso, mude o texto de sample para saber se a fonte que você está testando aceita as acentuações portuguesas, inclusive o Ç.

- Não se empolgue: fontes demais instaladas no computador tendem a deixar a máquina lenta na hora de usar certos programas.

- Use a fonte Impact com sabedoria.

E para arrematar, alguns endereços úteis:

NetFontes - Um bom começo, porém não é meu favorito.
DaFont - A primeira vez que eu entrei aqui, achei que nunca mais ia sair. Muito útil!
Blambot - Fontes específicas para trabalhar com quadrinhos. Tem praticamente tudo o que você pode vir a precisar, mas pode ter problema na acentuação portuguesa.

Ufa!
Espero que tenham gostado!

Tipografia, parte 1
Tipografia, parte 2